Psicología

Centro MENADEL PSICOLOGÍA Clínica y Tradicional

Psicoterapia Clínica cognitivo-conductual (una revisión vital, herramientas para el cambio y ayuda en la toma de consciencia de los mecanismos de nuestro ego) y Tradicional (una aproximación a la Espiritualidad desde una concepción de la psicología que contempla al ser humano en su visión ternaria Tradicional: cuerpo, alma y Espíritu).

“La psicología tradicional y sagrada da por establecido que la vida es un medio hacia un fin más allá de sí misma, no que haya de ser vivida a toda costa. La psicología tradicional no se basa en la observación; es una ciencia de la experiencia subjetiva. Su verdad no es del tipo susceptible de demostración estadística; es una verdad que solo puede ser verificada por el contemplativo experto. En otras palabras, su verdad solo puede ser verificada por aquellos que adoptan el procedimiento prescrito por sus proponedores, y que se llama una ‘Vía’.” (Ananda K Coomaraswamy)

La Psicoterapia es un proceso de superación que, a través de la observación, análisis, control y transformación del pensamiento y modificación de hábitos de conducta te ayudará a vencer:

Depresión / Melancolía
Neurosis - Estrés
Ansiedad / Angustia
Miedos / Fobias
Adicciones / Dependencias (Drogas, Juego, Sexo...)
Obsesiones Problemas Familiares y de Pareja e Hijos
Trastornos de Personalidad...

La Psicología no trata únicamente patologías. ¿Qué sentido tiene mi vida?: el Autoconocimiento, el desarrollo interior es una necesidad de interés creciente en una sociedad de prisas, consumo compulsivo, incertidumbre, soledad y vacío. Conocerte a Ti mismo como clave para encontrar la verdadera felicidad.

Estudio de las estructuras subyacentes de Personalidad
Técnicas de Relajación
Visualización Creativa
Concentración
Cambio de Hábitos
Desbloqueo Emocional
Exploración de la Consciencia

Desde la Psicología Cognitivo-Conductual hasta la Psicología Tradicional, adaptándonos a la naturaleza, necesidades y condiciones de nuestros pacientes desde 1992.

sábado, 20 de octubre de 2018

Orhan Pamuk A Mulher dos Cabelos Vermelhos

Este é um livro que pode (e terá) uma leitura política, de duas Turquias em conflito, tradição e revolução, e o inevitável progresso, atravessado por ambas as situações. Mas a sua força é outra, reside no modo de contar, através de estruturas de pensamento e reflexão de grande cultura, a história de um jovem, que deseja ser escritor, mas começa por um primeiro trabalho com um Vedor, Mestre Mahmut, conhecido por saber encontrar água e erguer poços para os empresários que ainda confiam na sua sabedoria. A experiência será para Cem, o nome do jovem, uma verdadeira iniciação. A escrita terá de esperar, até que ele regresse a casa. O trabalho é penoso, quanto mais escavam menos parece que haja ali água, ma o Mestre não desiste, está confiante na sua sabedoria. Cada vez surgem mais pedras, lá no fundo, difíceis de remover. Está difícil, mas não será impossível, diz o Mestre vedor ao jovem, conseguir remover o bloco de pedra que impede que se chegue à água do poço no prazo previsto e exigido pelo patrão. Nesse intervalo, quando vão descansar ao fim do dia, cruzam-se sempre com o grupo de teatro que ali se instalou por um tempo, e com a estranha e sedutora Mulher dos Cabelos Vermelhos, que lhes diz, apareçam ver a nossa peça. O jovem acha que ela seja dez anos mais velha do que ele, que tem dezassete. Já se cruzou com o seu irmão, e fugiu, com algum receio de que ele lhe quisesse fazer mal. Mas tudo se apagava, ao sonhar com ela, de noite, sob as estrelas, revendo a sua alta e esbelta figura e aqueles cabelos vermelhos. O inevitável, já quase a meio da narrativa, acontece. Ele vai à noite ver os sketches do teatro, espera por ela, vão falando pelo caminho, dizem os seus nomes, ele - Cem ela - Gulcihan (dizer o nome já é prenúncio do que irá acontecer, tornam-se mais próximos, mais íntimos) e ela leva-o para o prédio onde mora com o marido. É casada, tem 33 anos, o marido está fora, só regressa no dia seguinte. Ela comenta, afável: não tenhas medo, eu podia ser tua mãe. Aqui entronca já, discretamente, o mito de Édipo Rex, que o jovem tinha contado ao seu Mestre vedor, e de que ele nem por isso gostara. Era mais apreciador das tradições populares da sua Turquia antiga. Em casa da Mulher, sucede o tão desejado momento de entrega a uma paixão que o jovem não consegue esquecer e mal disfarça do Mestre, no dia seguinte, enquanto regressam ao trabalho do poço. Este escavar do poço, que parece infindável e votado ao insucesso tem sido até agora o principal núcleo da narrativa de Pamuk, cada vez mais incantatória: pois não é de um poço, sempre de um poço, real ou imaterial, que se bebe a água da sabedoria? Ocorre-me que esta noite de iniciação do jovem narrador, que assim adquire um novo conhecimento, acima de tudo de si próprio – o amor civiliza – poderia ser comparado à iniciação de Enkidu (o jovem amigo ainda selvagem, de Gilgamesh na epopeia suméria), pela deusa Inanna, a Grande Mãe a quem ele foi entregue para através da relação sexual adquirir os hábitos culturais que lhe faltavam. O narrador usa sempre maiúsculas para se referir à Mulher dos Cabelos Vermelhos, mesmo depois de já conhecer o seu nome. Mulher-Mãe, como ela sugere ao referir a idade e como podia de facto ser mãe dele, pela diferença de idades. Estamos pois, como num quase sonho, no entre-choque de duas culturas: a tradicional, com a fundura de um Poço, escavado ainda à mão, a iniciação do EternoFeminino, e a moderna, os transportes, os estudos, o bulício (com as qualidades e os defeitos, por exemplo da presença dos soldados por todo o lado) de uma sociedade a crescer de modo muito veloz, como se lê nos capítulos seguintes, quando Cem, já casado, se transforma num grande empresário da área da construção. Logo a seguir ao encontro com a Mulher, a suposta morte do velho Mestre no poço e a fuga apavorada para o regaço da mãe, e o regresso às aulas e às conversas habituais dos rapazes da mesma idade, ajudam a suspender por um tempo a narrativa que no entanto deixa sempre no ar o fascínio pelo mito de Édipo, e o que ele pode vir a pesar no destino do herói, que vive entre dois mundos: o oriental, da sua origem, e o ocidental, do progresso a que aderiu, com a ideia de um país laicizado, uma nova Turquia que pudesse entrar na Europa. Mas pressentimos, ao ler, que é bem maior a força dos mitos e lendas que alimentam o imaginário dos homens e das suas nações, e do destino eventual a que são votados. Finalmente, a partir do capítulo 37, a grande reviravolta, como nas grandes tragédias que nos surpreendem nos palcos (do teatro ou das vidas). Cem tem um filho, cuja existência ignorava, concebido naquela noite de paixão com a Mulher dos Cabelos Vermelhos. Pamuk vinha, de longe, com subtileza, de forma cautelosa, insidiosa até, sugerindo que nada estava ali a acontecer por acaso. A leitura de livros que se referiam a mitos descodificados por Freud, descobre-se mais tarde, no caso de Édipo Rei, e outros que o jovem narrador, Cem, que queria ser escritor, escrever o seu Livro) - tudo viria a ter uma razão que não era de acaso, era de destino traçado. Cem, já casado, visitando Museus pelo mundo, com a sua jovem mulher, descobre, graças à gentileza de uma curadora, a grande epopeia SHAHNAMEH, o Livro Persa dos Reis, que não conhecia e era um enorme repositório de mitos, lendas, fábulas, narrativas, entre elas a que ele tinha visto representada pelo Teatro das Moralidades, e em que o Sultão mata o seu filho, desfazendo-se em lágrimas e fazendo chorar toda a plateia, de emoção. A Mulher dos Cabelos Vermelhos tinha aí o seu grande momento de representação, como se de facto estivesse a viver um tal desgosto. No fundo, de novo em contraste com o Édipo ocidental – em que o filho mata o pai (embora sem saber) tínhamos aqui uma versão oriental conhecida e lida desde sempre, em que pelo contrário é o pai que mata o filho. Mas em ambas as histórias por falta de se reconhecerem no momento da luta. Outra subtileza com que Pamuk nos deixa, para absorvemos o que pode existir nas diferenças, porque ele, na narrativa torna real outro mito, o de Freud: pai e filho lutam, sabendo finalmente quem são, e o filho, que se deu a conhecer, sem esconder revolta e ódio ao pai que o ignorou, mata Cem, (dirá depois que foi em legítima defesa) arrancando-lhe a pistola de mão e baleando-o num olho, antes de o atirar para dentro do poço que o pai ajudara a erguer. Assim, em leitura moderna, se cumpre o seu destino: cegar um pai e matá-lo, porque de todo o modo Édipo é o que teria feito: cegar-se, de arrependimento. Já fora cego, antes mesmo de o ser. Passo adiante uma reflexão que se me foi impondo, mas deixo para outros momentos: a questão da Culpa, que nos conduzirá para lá da força do Destino à questão da Queda, do Pecado original. Mestre Mahmut e a semanas da busca da água num poço já tão fundo, como o se fosse o centro último da terra (teria ele morrido, estaria vivo, alguém o teria salvo, libertando assim o jovem, agora homem, do sentimento de culpa que nunca o abandonara? ) –torna-se em obsessão que o levará a Ongoeren, numa espécie de regresso às origens: ali tudo começara, sem esquecer a iniciação ao amor pela Mulher de Cabelos Vermelhos, ali se desvendaria a verdade (constava por ali, pois era um meio pequeno, que ele abandonara à sua sorte o Mestre, e tivera um filho dessa Mulher, abandonado também). A narrativa acelera, como numa tragédia que precisa rapidamente de chegar a um desfecho. Quanto ao suporte mítico vamos ficando entre Sophocles e a épica de Shahnameh e em breve, quando Cem é conduzido, sem saber de início que é o filho que o conduz ao lugar onde o poço fatídico se encontra, mas já carregando no peito tanta incerteza, tanta interrogação e mesmo tanto medo, tanta culpa – até que o desfecho, na noite escura, entre uma luta e uma discussão carregada de sentido finalmente se dá. É o filho que mata o pai. O filho, concebido na noite de uma paixão fogosa, transforma de repente a antiga deusa Inanna na cruel deusa Ishtar, variante também ela da Grande Mãe, a que inicia e mata depois os seus amantes de uma única vez, para que nesse sacrifício a fertilidade da terra se perpetue sempre. O romance está dividido em 3 partes. E agora Pamuk, como Joyce no Torrencial Monólogo de Molly Bloom, dá uma voz igualmente torrencial à Mulher dos Cabelos Vermelhos, que ali se ergue em defesa do filho, afirmando que foi em legítima defesa, e sem intenção de matar, que Enver (é o nome do filho) durante a luta acabou por cegar e matar o pai, atirando o corpo para o poço de maldição. A Mulher, ligada ainda, com os seus sessenta anos, à troupe do seu teatro, une todos pontos, preenche todas as falhas e lacunas desta história de magia com que Pamuk nos tinha vindo a encantar. E de que modo se chega ao final mítico, e trágico, de que ela espera dos Juízes que o filho venha a ser ilibado. No entretanto, entre muitas carícias e consolos, promete vir visitá-lo à prisão, ler as páginas da epopeia que é a deles, a dos Reis Persas e em que as histórias da Vida são contadas, na sua verdade mítica de sempre, universal. É ela quem afinal salva Mestre Mahmut, e ajuda a que o retirem do fundo do poço, quando vê passar ao longe, de mala na mão o jovem Cem e deduz que alguma coisa devia ter acontecido para que ele abandonasse o seu trabalho. Levam-no para o hospital, onde é tratado. Nessa altura ainda não sabia que ficara grávida do filho de Cem, fruto dessa noite de louco amor por um jovem tão mais novo. E assim vai contando a sua história, que esclarece tudo o que ficara oculto na narrativa em suspenso de Pamuk...uma arte magnífica de labor, ou de bordado oriental... E fico por aqui, há mais mistério adiante, mas terão que ler sozinhos... - Artículo*: Yvette Centeno - Más info en psico@mijasnatural.com / 607725547 MENADEL Psicología Clínica y Transpersonal Tradicional (Pneumatología) en Mijas Pueblo (MIJAS NATURAL) *No suscribimos necesariamente las opiniones o artículos aquí enlazados
Este é um livro que pode (e terá) uma leitura política, de duas Turquias em conflito, tradição e revolução, e o inevitável progresso, a...

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